No próximo mês de abril teremos 30 anos da Guerra das Malvinas, a guerra das conveniências de políticas internas.
Em 1982 a ditadura argentina estava acuada, com uma população impaciente com abusos de direitos humanos. Ela então resolveu agir. Tropas argentinas ocuparam as Ilhas Malvinas, tomadas pelos ingleses no século XIX, e por eles rebatizadas de Ilhas Falklands.
A atitude argentina foi tão oportunista quanto estúpida. Quis desviar a atenção da sua população para uma encrenca externa. Mas fez isso sem a menor condição militar para enfrentar o Reino Unido.
O Reino Unido também teve sua dose de oportunismo. Poderia ter optado por outros caminhos, sem o conflito militar. Mas o país estava em recessão econômica, com elevado desemprego e uma população também impaciente com seu governo. Uma guerra contra um país militarmente mais fraco e sem razão foi a opção dos ingleses. Hoje em dia tem até filminho que exalta Margareth Tatcher, a primeira-ministra que embarcou na guerra contra os argentinos.
O Reino Unido venceu a guerra, a Argentina foi humilhada. Margareth Tatcher teve sua popularidade em alta. E a ditadura argentina caiu de pobre, pois sua popularidade já não era boa antes da tal guerra...
Às vésperas dos 30 anos da Guerra das Malvinas a argentina tem um governo que tenta de novo aumentar a sua popularidade com o assunto. Cristina Kirshner não governa uma ditadura. Mas tem enfrentado o grupo El Clarín, a Globo de lá. Ao mesmo tempo, ainda não tem respostas satisfatórias para o medo de desindustrialização e desnacionalização que pode ocorrer no país com a força de empresas brasileiras que atuam em seu país. Mídia, sindicatos e empresários a pressionam nesse momento. Por que não uma encrenca internacional?
Do outro lado as coisas também não estão muito boas. O desemprego no Reino Unido é imenso, e o país ainda sente os efeitos da crise financeira de 2008. No horizonte mais sombrio de Londres, uma quebra do Euro e de muitas empresas na Europa afetaria muitos bancos ingleses, credores de muitos países europeus. Na impossibilidade de dar uma reposta que acalme a todos no Reino Unido, uma ameaça de guerra contra a Argentina não é necessariamente uma notícia ruim para o governo inglês.
E esse teatro avança. Certamente nenhum dos lados quer uma guerra de verdade. Mas encenam tanto que o risco é a brincadeira ficar séria. Um navio militar aqui, um bloqueio naval acolá... Uma convocação de um embaixador hoje, uma expulsão de diplomatas amanhã... Assim dançam Argentina e Reino Unido. Dançam? Não, tocam. Mais uma vez quem corre o risco de dançar serão soldados, dos dois lados. Em especial aqueles do lado mais fraco. E alguém tem dúvidas de quem está do lado mais fraco?
