Monday, June 25, 2012

Quando os bovinos incomodam

Há momentos em que a ira se mistura ao desânimo.

Condição humana. Humana fraqueza.

Humanos são os erros.

Humanas são as tolices.

As vacas são felizes. 

Nunca erram. Pastam, ruminam e repetem sua vida ordinária.

Bovinamente.

O que fazer quando o desânimo e a ira se intrometem no seu caminho?

O que fazer diante de tanto pasto, ruminantes e ordinários?

Simples: voltar às raízes.

Sentir no coração e na alma de novo o motivo da caminhada. 

A alegria da renúncia consciente. 

Não pastar, não ruminar. Não repetir. 

Erros e desânimo. 

A ira então se vai...


Obs.: Para tanto


"A Cruz de Giz" (Bertold Brecht)

Eu sou uma criada. Eu tive um romance
Com um homem que era da SA.
Um dia, antes de ir
Ele me mostrou, sorrindo, como fazem
Para pegar os insatisfeitos.
Com um giz tirado do bolso do casaco
Ele fez uma pequena cruz na palma da mão.
Ele contou que assim, e vestido à paisana
anda pelas repartições do trabalho
Onde os empregados fazem fila e xingam
E xinga junto com eles, e fazendo isso
Em sinal de aprovação e solidariedade
Dá um tapinha nas costas do homem que xinga
E este, marcado com a cruz branca
ë apanhado pela SA. Nós rimos com isso.
Andei com ele um ano, então descobri
Que ele havia retirado dinheiro
Da minha caderneta de poupança.
Havia dito que a guardaria para mim
Pois os tempos eram incertos.
Quando lhe tomei satisfações, ele jurou
Que suas intenções eram honestas. Dizendo isso
Pôs a mão em meu ombro para me acalmar.
Eu corri, aterrorizada. Em casa
Olhei minhas costas no espelho, para ver
Se não havia uma cruz branca.
Bertold Brecht (Alemanha)




Thursday, June 14, 2012

Eu me rendo

O palpiteiro é são-paulino e não escondeu de ninguém que torceu muito para que o Santos vencesse o Corínthians no primeiro jogo da semifinal da Copa Libertadores das Américas, 2012. 

E torcer pelo Santos contra o Corínthians não é nada difícil para quem gosta de futebol. 


O Santos tem Neymar, Ganso, Arouca e Muricy Ramalho. Vê-lo jogar bem é gratificante para quem aprecia o bom futebol.  

O Corínthians não tem nenhum destaque individual. Joga em conjunto e valoriza a defesa. Tite, o técnico, sonha com a mudança das regras que permitirá algum dia fazer um time ser campeão de futebol sem um único gol. 

Mas ontem as coisas deram errado. Sabe-se lá por que, Neymar se apagou, Ganso não criou, Arouca não surpreendeu. E Muricy não teve nenhuma grande ideia. 

Pelo lado do Corínthians houve garra e disciplina. Se não teve lances geniais durante toda a partida, conseguiu um placar magro com um gol indiscutivelmente bonito. A opção germânica do futebol corinthiano pode ser feia, mas não deixa de ser eficiente. 


Por tudo isso o palpiteiro se rende.


A partir de hoje passa a torcer, além do São Paulo, para o time do povo!

O time das massas!

O time cuja torcida não abandona seu clube do coração jamais!

O time da torcida que lota os estádios!


O time mais querido dos operários! Dos Pobres, excluídos e sem esperança!


O time que emociona pela sua torcida vibrante!


O time que tem como grande Rival um outro que representa as elites arcaicas que vivem na cidade mais rica do país!


O palpiteiro não tem a mínima vergonha de assumir que torcerá para o time que encanta a nação...ARGENTINA!

A partir de hoje, dá-lhe BOCA JUNIORS!!!! 

Saturday, May 12, 2012

É a Geografia, estúpido!

De tempos em tempos surgem ondas favoráveis a intervenções do Poder Público que trarão as soluções mágicas de que todos nós precisamos. Em comum, seguem alguns padrões: nunca são fruto do pensamento nativo; seus defensores citam ao menos 3 cidades ou países -normalmente ricos- que já as utilizam com sucesso; a simplicidade da solução é acompanhada da sensação de que fomos tolos por não termos pensado "nisso antes"; as soluções mágicas somem do jeito que apareceram, sem ninguém explicar a razão de seu sumiço...

A solução mágica de hoje no Brasil é a bicicleta. Bebedores de vinho francês bradam as vantagens do seu uso. Amsterdã e Paris são lembradas como bons exemplos da substituição do automóvel em favor da bicicleta. E militantes das duas rodas com tração humana aparecem vociferando pelo seu direito ao transporte individual não motorizado. 

Mas seria a bicicleta uma solução viável?


Talvez sim, talvez não. Não se nega que a bicicleta como meio de transporte polui menos, faz bem à saúde e melhora as relações entre os habitantes de qualquer cidade. Mas é preciso que se tenha em conta a peculiaridade de cada cidade. 

As cidades europeias que tem promovido o uso das bicicletas tem um elemento natural em seu favor: a topografia. São cidades construídas em planícies, ou seja, terrenos com poucas variações nas suas formas de relevo. Ou ladeiras, para sermos mais precisos. Não é absurdo pensar em ciclovias com mais de 50 Km numa cidade como Paris. Mas acreditar que na cidade de São Paulo poderemos ter algo semelhante sem ao menos um morro é uma grande ingenuidade. 

Recentemente foi inaugurada uma ciclovia na marginal Pinheiros, em São Paulo. A ideia é boa, e merece o respeito como espaço para a atividade física. Fechar pistas de algumas avenidas para lhe dar acesso aos domingos é excelente. Mas no cotidiano de trabalho, impraticável. As ciclovias em São Paulo deveriam ser construídas em fundos de vale, onde os terrenos são aplainados. São aquelas avenidas mais largas, que normalmente desembocam em outras mais largas, tendo como destino comum as avenidas marginais. Ou alguém sonha que teremos ciclovias FUNCIONAIS nas avenidas Rebouças, Brigadeiro Luis Antônio e Lins de Vasconcelos?


Quem tiver a curiosidade de observar um mapa da cidade de São Paulo verá um padrão de avenidas largas que desembocam nas marginais, pois foram construídas nos vales mais largos e baixos dos rios que cortam a cidade. Muitas de nossas avenidas reproduzem o traçado dos rios que constituem as bacias dos rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí. 

Um exemplo disso é a avenida do Estado, que acompanha o Tamanduateí e desemboca na marginal Tietê. Fizeram duas grandes avenidas num sistema já existente. Em São Paulo as várzeas dos rios é que se tornaram a base para grande parte do sistema viário. 


Ciclovias nessas avenidas mais largas e baixas são aparentemente uma ideia simples, se aceitássemos que todos os habitantes da cidade morassem nessas áreas. O problema é como chegar a elas. São Paulo é uma cidade que nasceu e cresceu no "Domínio dos Mares de Morros Florestados", como ensinou o velho mestre Aziz Ab'Saber. As florestas já não existem mais. Porém os morros, sim.


Seja nas áreas centrais ou nas periferias, o que predomina na cidade de São Paulo são os morros. Rapidamente: tente se lembrar dos lugares que você passa pela cidade que não são partes de morros, com ruas que sobe ou descem? Terrenos aplainados são regra ou exceção em São Paulo?


Diariamente, milhões de pessoas se deslocam de carros, motos, ônibus trens e metrôs na Grande São Paulo. Ao contrário das cidades europeias, os mais pobres moram muito longe dos centros que apresentam maior número de empregos, e não dispõem de transportes coletivos confiáveis no horário, seguros no deslocamento e confortáveis para o corpo e para a alma.

Em resumo, construir ciclovias parciais não resolveria um problema que é metropolitano. 


Mas os demagogos aparecem sempre e, entre eles, os amigos das soluções da moda. A gestão de Kassab, o exterminador do futuro, tem se esmerado nesse sentido. Não construiu corredores de ônibus para que as pessoas utilizem mais o transporte coletivo. Ao mesmo tempo, tem sido generosa - a gestão - na liberação da construção de condomínios e prédios que resultam em mais trânsito. Ao lado de Kassab surge a sra. Soninha Francine, adepta da onda ciclista. 


E assim pedalamos. Uma cidade gigantesca, cheia de morros, com uma distribuição espacial de empresas e trabalhadores que exige longos e demorados deslocamentos com soluções infantis. 


Estudar topografia? Bobagem...

Reconhecer as diferenças do sítio urbano que existem entre São Paulo e Paris é coisa para chatos. Para que repensar a organização espacial da cidade e os transportes coletivos se podemos comprar bicicletas? 

A prefeitura isola uns 100 km de ciclovia numa cidade com mais de 1.200 km2, as autoridades tiram fotos e, se houver atropelamentos, é só culpar os motoristas...


Soninha Francine, a vereadora que vai mudar SP com sua bike...




O prefeito Gilberto Kassab mostra como pretende trabalhar com o revolucionário sistema de ciclovias em São Paulo. Note que o prefeito usa capacete para proteger a caixa craniana de onde brotam as mais brilhantes soluções para o sistema de transportes da cidade. Perguntar não ofende: os demais companheiros de Kassab estão de capacete para carona ou eles pretendem revezar o uso do veículo?




Av. Brigadeiro Luís António, onde o palpiteiro aguarda a ciclovia que dará oportunidade a alguns engravatados usarem suas bikes para trabalhar na Av. Paulista. Será interessante ver os motoristas da cidade a manter uma distância mínima de 1,5m de um ciclista que arriscar subir essa avenida...




Mapa da Grande São Paulo com o Rodoanel, em funcionamento e em projeto. Para os ignorantes, um mapa resolve qualquer problema. Para quem estudou um pouquinho de geografia, esse tipo de mapa não revela claramente onde tem subidas e descidas. Repare nas várzeas dos rios Tietê e Pinheiros e nas ruas que neles desembocam. 

Divulgação


Friday, May 04, 2012

Que Tinoco descanse em paz

O palpiteiro ficou sabendo hoje, 4 de maio de 2012, que Tinoco morreu num hospital municipal de São Paulo. Ele era simplesmente metade da dupla "Tonico e Tinoco", que cantava modas de viola e música caipira (Para quem tem um pouquinho de discernimento, há a diferença entre uma coisa chamada "música caipira e um troço chamado "música sertaneja"). 

O palpiteiro cresceu ao som da música de Tonico e Tinoco. Numa época em que a música eletrônica dominava as rádios e que qualquer coisa cantada em português era mal-vista, as músicas de Tonico e Tinoco resistiam nas rádios AM. 

Os "jovens" e "modernos" sabiam de tudo. Inclusive que a música caipira era coisa de velho, ignorante e analfabeto. Os caipiras que moravam na cidade sabiam que tinham uma história, uma origem e uma dupla que cantava sobre isso. Tinham várias duplas, mas era a "Tonico e Tinoco" que simbolizava a resistência caipira numa cidade que queria ser NY com uma população majoritariamente pobre, mal-escolarizada e cabocla. 


Particularmente, o palpiteiro aprendeu a gostar mais de Tião Carreiro do que Tonico e Tinoco. Discordâncias respeitadas, Tião Carreiro é na viola caipira o que Bach foi na música erudita e Jimmy Heendrix no rock. Pessoas que amam a música reconhecem talentos e gênios que se manifestam de diferentes formas. Bach, Hendrix e Tião Carreiro. Ignorantes classificam diferentes gênios por hierarquia, com o ridículo  do "melhor" e do "pior". Tonico e Tinoco não eram os melhores. Mas eram, indiscutivelmente, autênticos. 


Quem cresceu na cidade de São Paulo, como filhos de gente do interior,  entre as décadas de 1950 e 1980,  entende bem o que se quer dizer nessa postagem. 

Para quem não vivenciou esse momento, nessas condições, a morte de Tinoco é algo banal, como a queda de um motoboy ou uma chacina na Grande SP.

Tinoco morreu. Com ele se foi um pouco da história do século XX do rádio e da música popular do Brasil. Um dia poderemos ter no Brasil o orgulho de termos artistas como Tinoco, Luis Gonzaga, Cartola e Tião Carreiro. Tanto quanto os alemães tem de Bach, os franceses de Vivaldi e os italianos de Pavarotti. Por enquanto isso não é realidade. Nossas elites continuam a beber vinho francês e acreditar que são superiores por conhecer jazz e a Flórida. Valorizam trufas e desdenham do doce-de-abóbora...Ignorantes com soberba, apenas.

Que Tinoco descanse em paz. Justiça ao seu talento e à sua importância será um dia feita. Mesmo que demore mais um pouco mais.

Saturday, April 21, 2012

Um sábado modernista

Sábado de outono na cidade de São Paulo. Temperatura agradável, com céu encoberto e uma garoa que ameaça ficar e não fica. 

No Memorial da América Latina os prédios cheios de curvas. Edifícios com espelhos d'água. E claro, o concreto armado da arquitetura modernista de Niemeyer. 

Em exposição, os paineis "Guerra e Paz", de Cândido Portinari. Imagens universais que retratam a alegria e a dor. Contrastes entre cores e temas dentro do mesmo estilo. Muitos triângulos. Sugeridos e sorrateiros. Um vídeo com imagens de esboços comenta, de maneira suave, algumas das ideias da obra. 

Ao fundo, um poema de Carlos Drumond de Andrade, outro modernista. 

Na sequência das imagens que compõem o painel da "Paz", a música é infantil e de domínio público, segundo o arranjo de Villa-Lobos. 

O palpiteiro teve assim um sábado modernista. Niemeyer, Portinari, Drumond, Villa-Lobos. E, não muito longe do Memorial da América Latina, um lanche no Ponto Chic, o mesmo bar e restaurante que outrora abrigava a vanguarda modernista da década de 1920, ainda no Largo do Paissandu.

O Brasil foi muito mais interessante quando acreditava que podia ser grandioso se fosse moderno. E moderno pressupunha ser avançado sem deixar de ser brasileiro. 


Os paineis "Guerra e Paz" evidenciam isso. Emocionam com cenas simples de áreas rurais brasileiras. Portinari conseguiu isso: ser universal sem deixar de ser brasileiro. 

Em tempos que uma gente afetada que acredita ser importante conhecer vinícolas francesas e out-lets da Flórida, Portinari retorna em boa hora. 

O Brasil sempre acertou quando ousou ser moderno sem deixar de ser Brasil. Instituto Butantan, USP, Petrobrás, Embraer. Tudo isso derivou desse sonho modernista. 


No ano em que lembramos dos 90 anos da Semana de Arte Moderna, nada mais apropriado em procurar saber o lugar e o momento em que perdemos o trem da história. 

Sei não. Se insistirmos um pouquinho mais, achamos o caminho de justo. De novo.

Tuesday, March 20, 2012

Da esfera ao Kony

Em 2006, a cidade de São Paulo ficou atônita diante de ataques organizados pelo PCC, ou, como prefere a imprensa infantil "facção criminosa que atua nos presídios paulistas".  Os ataques alvejaram policiais, delegacias, bases de patrulhamento e até quarteis do Corpo de Bombeiros. No auge da violência programada, até um agente da CET foi assassinado. Ônibus foram incendiados. 

A violência do PCC começou numa quinta à noite e foi piorando com o passar das horas. No domingo, além dos ataques a policiais, houv rebeliões em diversos presídios do Estado. De um lado reforço policial nas cadeias. De outro, policiais amendrotados por ataques que poderiam vir de qualquer lado, a qualquer momento. 

O padrão dos ataques do PCC foi claramente inspirado na Al Qaeda. Ações simultâneas em ataques espetaculares. Ao mesmo tempo em que assustam, dão a sensação de insegurança coletiva e de uma força da organziação desproporcional à realidade. Os ataques e sua divulgação deram ao PCC uma imagem de poder que não corresponde exatamente ao que possuem, embora sejam de fato - como provaram- capazes de assustar um Estado inteiro.

Naqueles dias o palpiteiro ficou impressionado com a disseminação das informações sobre os ataques. Boatos de que estações de metrô foram alvejadas por metralhadoras ou ataques de bombas a prédios se misturaram a casos reais. O PCC não atacou apenas com chumbo e pólvora. Usou também a informação como arma de terror. Motoqueiros passaram assustando comerciantes, que, inseguros, baixaram suas portas. Mas o mais curioso foi o uso do MSN, SMS e do Orkut, numa época em que não existia ainda o Facebook. 

O palpiteiro trabalhava na Avenida Paulista e viu bancos fechados, com as grades típicas dos dias de grandes manifestações. São Paulo teve, por volta das 17:00h, um dos piores congestionamentos de sua história. Uma cidade inteira em pânico. 


No desfecho do caso, pouco se falou sobre o papel do cidadão comum no caso. Involuntariamente, muitas pessoas ajudaram o PCC, ao disseminar informações sem um mínimo de questionamento. Claro que você conhece aquele tipo que adora uma notícia ruim. Daqueles que quando você o informa ele saca uma pior...


Desde então o palpiteiro passou a ter mais cuidado no repasse de informações que não sabe a procedência. Ou que duvida da seriedade. 

Na última semana foi o caso Kony. Um ong americana propagou um vídeo, conclamando a prisão de um criminoso que já não atua como antes há 10 anos. Ao que parece, a ong queria dinheiro, não justiça. 

Nesse mundo de informação rápida, que dá a impressão de que o mundo virou uma esfera contínua com fluxos incessantes de infromações, não custa nada fazer algumas perguntas simples: 

"Quem disse?"

"Quem me passou essa informação?"

"A quem interessa que eu me oponha a essa pessoa ou instituição?".


Velhos cuidados que deveriam nos acompanhar há milênios nunca foram tão necessários quanto hoje.

Friday, March 16, 2012

Aziz Nacib Ab Saber, professor, sempre

O dia 16 de março de 2012 foi diferente dos anteriores. Foi mais nublado, cinza. Triste. Nesse dia morreu Aziz Nacib Ab Saber. 

Para quem não o conheceu é preciso dizer algumas coisas. Para quem o conheceu, é necessário dar continuidade a muito do que ele disse. E fez.


Quando alguém morre temos muitas maneiras de dizer  o que sentimos, para o bem e para mal. Mas no caso no Aziz o que segue aqui é mais do que o pesar formal de um geógrafo. Sai como desabafo de um perpétuo aluno do velho mestre.

Havia dois Aziz, o acadêmico e o cidadão. 

O acadêmico foi genial. O cidadão, incomparável. Aziz foi o doutor da tese sobre a geomorfologia do sítio da cidade de São Paulo. Foi nele que o pessoal do Metrô fuçou para poder cavar muitos dos túneis que usamos todos os dias. Foi também um dos autores da "Teoria dos Redutos", mais conhecida como "Teoria dos Refúgios", em parceria com Paulo Vanzolini. Quem conhece Vanzolini vai entender a importância disso. O Aziz acadêmico foi o presidente da SBPC. E morreu como presidente de honra dela. Ele foi o consultor do Projeto Radam-Brasil, que serviu de base para conhecermos melhor a Amazônia. Entre tantos outros feitos, ele construiu ao longo da vida um currículo com mais de 80 páginas. O palpiteiro leu. Num dado lugar está lá: "Títulos e honrarias recebidos: medalhas de honra ao mérito científico concedidas pelos governos da França e da Argentina...". Pouca gente sabe disso.


Mas havia o Aziz cidadão. Aquele que desprezava encontros com doutores de todo o Brasil nos congressos e encontros de Geografia. Mas que adorava conversar com os estudantes. O Aziz cidadão apoiou Lula contra Collor em 1989. Assim como o fez em 1994, 1998 e 2002. Com 3 meses de governo Lula ele sentiu que o governo Federal não estava de acordo com o que ele sempre defendeu. Rompeu, politicamente, com Lula ainda no primeiro semestre de 2003. 

Quando Lula perdeu para Collor em 1989, inventaram a "Caravana da Cidadania". A ideia era aproveitar a boa votação dele para continuar uma campanha para a eleição seguinte. Foram para várias cidades pobres do país. O Aziz o acompanhou. As imagens da caravana foram tão marcantes que os conservadores mudaram a lei eleitoral de 1994. Naquele ano a propaganda eleitoral não podia ter imagens em movimento, apenas fotos...

O Aziz cidadão estudou com Florestan Fernandes, e dele foi amigo até os últimos tempos. Em 2000 o PT venceu as eleições em muitos municípios brasileiros. Em São Paulo, venceu a Marta. Estava frio, mas o palpiteiro foi para a Paulista comemorar, pois não era todo dia que São Paulo derrotava Paulo Maluf de lavada. O palpiteiro e a esposa estavam lá, embaixo da chuva fina, quando encontraram o Aziz. Ele nos abraçou e, em lágrimas, disse: "...meu filho, isso é um passo importante. O Brasil vai mudar toda a América Latina..." O palpiteiro achou exagero na hora. Quem queiser que olhe para trás. A América Latina mudou muito desde então. O Aziz estava certo, era o mestre, afinal.

Em 2002 ele também estava na Paulista, a comemorar mais uma vitória eleitoral, daquela vez, do Lula.  

Nos últimos anos se transformou numa metralhadora acadêmica e política contra as obras de transposição do  São Francisco e com o Novo Código Florestal. Ele nunca se cansou. Tornou um crítico feroz do governo Lula e de Dilma. Não se conhece manifestação direta de Lula a esse respeito. Ele sabia que a briga com o Aziz era outra.


Tanto o acadêmico quanto o cidadão foram incansáveis na defesa de um Brasil mais justo e avançado. Desde sempre. Em 1943 ele gostava de se reunir com sua turma de nerds para discutir política e ciência na então Biblioteca Municipal de São Paulo. Foram eles que deram a ela o nome de "Mário de Andrade",com todo o simbolismo que isso tem.


Mas hoje ele faleceu. Hoje se foi o homem que disse: "...num país rico, estudam para manter a riqueza. Num país pobre, lutamos para mudar tudo..."


Hoje estava nublado. Foi um dia triste para o país. Mas é certo dizer que ele apenas nos deixou. Enquanto não nos calarmos e não nos conformarmos com o que está errado e seguirmos lutando, ele vive. As suas ideias e a fala nas nossas memórias ainda estão muito vivas. Descanse em paz, professor. 

Tuesday, February 21, 2012

Somos minoria???

Um moleque inconsequente no comando de um jet sky atropelou uma garotinha de 3 anos e a matou.

O moleque fugiu, sem prestar qualquer tipo de ajuda, sem perguntar o que aconteceu.

Sem admitir o que provocou.


Ao chegar em casa deve ter contado o fato aos pais.


Muitas serao as possibilidades do dialogo entre os pais do moleque e o rebento.


Seja la qual for a conversa que tiveram, o que se sabe: seus pais julgaram melhor fugir com o garoto das vistas de quem quer que fosse incomodar a tranquilidade da familia.


Ha quem diga que os pais deram fuga de Bertioga em um helicoptero. Tem gente que afirma que sairam em seus carros, convencionais para aquele padrao de moradia.


Seja de helicoptero, seja de carro, fica a curiosidade. O que conversaram no caminho? Teria o pai chamado o garoto para uma conversa seria? Teria ele lembrado do mal que seu garotinho provocou a outra familia? Ou o pai o foi xingando por ter estragado o feriado de carnaval??


O palpiteiro fez coisas erradas quando era menor. Em nenhuma delas seus pais o acobertaram.


Um vez o palpiteiro nao fez a tarefa de casa. A professora escreveu um bilhete que dizia: "...seu filho nao fez a tarefa de casa..."

A mae do palpiteiro leu o bilhete, deu um sabao nele e escreveu, no verso do bilhete: "...meu filho nao fez a tarefa porque foi vagabundo. Por favor, dobre a tarefa de hoje para ele..." A mae do palpiteiro acreditou na professora, respaldou a autoridade da mestra e nao deu chance de defesa. Aprendizado: ou anda na linha, ou fica sozinho com seu erro. O palpiteiro fez a taboada do 5 umas 20 vezes, pois a tarefa era para que todos fizessem 10 vezes...


O palpiteiro se recusa a acreditar que a maioria das familias tenham atitudes covardes e indignas como a familia do moleque do jet sky.



E fica aqui um desafio. Se voce tem alguma historia desse tipo, no qual seus pais, avos ou quem quer que seja o deixou na mao para educa-lo, que post aqui. Nada de comentario. Apenas exemplos de pais responsaveis...

Thursday, February 16, 2012

Lindemberg condenado e outros culpados livres

O palpiteiro acabou de assistir à transmissão da sentença de Lindemberg, assassino confesso da adolescente Eloá. 

O julgamento só não foi mais explorado do que o próprio caso, no qual abutres de terno e gravata transmitiam com emoção e música de fundo um bandido com descarada vontade de sair na TV.

A juíza leu a sentença com elogios à PM de SP. Lembrou que é uma "das instituições mais respeitáveis do país". Fez referência ao combate diário que a PM de SP tem contra a bandidagem. Certo. Esqueceu-se de lembrar que a PM paulista foi para a história mundial como aquela que devolveu uma refém ao sequestrador. Ou o palpiteiro endoidou, ou muita gente se esqueceu que a outra menina, Nayara, se aproximou tanto de Lindemberg - com permissão da PM- que acabou sendo presa novamente. Nayara levou um tiro na boca e quase perdeu a vida. Mas a PM fez seu papel, segundo a juíza...


A juíza, quase elevada à condição de alteza, não poupou elogios também à imprensa. Lembrou do papel que a imprensa tem na comunicação entre o Estado que defende a lei e a sociedade, que deve ser defendida. Palavras bonitas, dignas de um discurso de formatura... Mas não há chance de sua alteza, a meritíssima juíza, repetir essa frase quando for lembrada que a "imprensa livre' deu voz ao macabro show de Lindemberg. Ou o palpiteiro endoidou, ou há registro de que a Rede TV transmitiu uma entrevista ao vivo, por telefone, do tal Lindemberg, que teve lá seu momento de fama e gloria televisa. 


A "imprensa livre" do Brasil parece ter memória curta, em solidariedade à alteza meritíssima. Pois não é que deu pouco espaço para o pai da vítima? Everaldo Santos, era cabo da PM em Alagoas. Foi condenado pelo assassinato de um delegado de lá. Estava pedido pela justiça alagoana a pagar 33 anos de cadeia. No desfecho do caso, fugiu e não pode ir ao enterro da filha. Acabou preso um ano depois.


O palpiteiro tangencia a leviandade e arrisca imaginar que não pegava bem dar destaque ao caso do pai de Eloá. Vítima de um lado, por ter perdido a filha. Bandido de outro, por ter matado outras pessoas e viver em SP com identidade falsa. Não pegava bem para uma cobertura jornalística que priorizou a condenação de Lindemberg e fingiu que a ação da PM no caso fora impecável. 


Que não se diga por aqui que o palpiteiro defende o assassino. é réu confesso, mau, exibido e tonto. Uma condenação a 98 anos de cadeia, mesmo que cumpra apenas 30 anos, não parece muito, neste caso. A sentença parece justa. 


O que intriga o palpiteiro é o espetáculo midiático, no qual busca-se falar mal apenas de UM malvado. O ódio instigado contra Lindemberg lembra muito a expiação feita com sacrifício humano. Entrega-se um condenado à execração pública. E assim os outros atos de maldade, ainda que menores, são sutilmente esquecidos. 


Para muita gente a justiça foi feita. Para o palpiteiro, veio incompleta. O tempo gasto para comentar o caso poderia ter sido aproveitado para questionarmos a ação da PM. Acertou em muitos pontos. Errou em outros. No mínimo, o mais grave, na entrega de Nayara ao cárcere de Lindemberg. 

Outro erro da PM foi a sua fraqueza perante a mídia. Nos dias em que Eloá esteve sob a mira de seu algoz, a imprensa fazia transmissão ao vivo, com um criminoso que queria também aparecer na TV. Um comando mais corajoso da PM teira isolado a área a ponto de não permitir a visualização do que ocorria. Cerceamento da liberdade de imprensa? Nada disso. Questão de segurança. Está mais do que evidente que a relação odiosa entre o assassino que queria fama e a imprensa que queria ibope, contribuiu muito para o desfecho trágico do caso.


Mas Lindemberg foi condenado. A juíza teve seus dias de fama. A imprensa saciou sua fome de por audiência e , de quebra, fingiu mais uma vez que nunca errou. 


E a sociedade adormece, mais uma vez. Iludida de que justiça foi feita, imprensa livre atuou e PM paulista venceu.

A PM de SP mais uma vez sai ilesa.

Os bandidos agradecem, mais uma vez.  




http://opalpiteiro.blogspot.com/2012/02/lindemberg-condenado-e-outros-culpados.html


Para quem quiser saber como ser uma péssima jornalista numa emissora sem ética...




http://www.youtube.com/watch?v=Y3oTNzkxUQE

Tuesday, February 14, 2012

Para registro

I. 
Entre os dias 13 e 15 de fevereiro de 1945 os Aliados bombardearam a cidade alemã de Dresden.

A cidade não era estratégica. Não tinha relevância econômica ou militar.


Milhares de pessoas foram mortas.


Motivo? Terrorismo.

O comando das forças dos EUA e do Reino Unido acreditou que tanta gente morta colocaria a população alemã contra o governo nazista, o que abriria caminho para a rendição alemã.



Dresden é um assunto incômodo.


O mundo ficaria mais fácil de ser entendido segundo a divisão entre bonzinhos e malvados.


Por esse ponto de vista, os nazistas foram maus e os Aliados bonzinhos.


O problema é quando se constata que aqueles que combateram os maus, também não eram grandes exemplos de bondade.


 Pelas vítimas de Dresden essa postagem é dedicada.


II.

Se alguém dissesse, em 1989, que em 2012: uma greve liderada por um filiado ao PSDB na Bahia foi enfrentada por tropas do exército brasileiro com o aval da presidente da República, do PT, ex-guerrilheira, com o argumento de defesa da ordem estabelecida... esse alguém seria chamado de doido...




Sunday, February 12, 2012

A Guerra das Malvinas, de novo

No próximo mês de abril teremos 30 anos da Guerra das Malvinas, a guerra das conveniências de políticas internas.

Em 1982 a ditadura argentina estava acuada, com uma população impaciente com abusos de direitos humanos. Ela então resolveu agir. Tropas argentinas ocuparam as Ilhas Malvinas, tomadas pelos ingleses no século XIX, e por eles rebatizadas de Ilhas Falklands. 


A atitude argentina foi tão oportunista quanto estúpida. Quis desviar a atenção da sua população para uma encrenca externa. Mas fez isso sem a menor condição militar para enfrentar o Reino Unido. 


O Reino Unido também teve sua dose de oportunismo. Poderia ter optado por outros caminhos, sem o conflito militar. Mas o país estava em recessão econômica, com elevado desemprego e uma população também impaciente com seu governo. Uma guerra contra um país militarmente mais fraco e sem razão foi a opção dos ingleses. Hoje em dia tem até filminho que exalta Margareth Tatcher, a primeira-ministra que embarcou na guerra contra os argentinos. 

O Reino Unido venceu a guerra, a Argentina foi humilhada. Margareth Tatcher teve sua popularidade em alta. E a ditadura argentina caiu de pobre, pois sua popularidade já não era boa antes da tal guerra...


Às vésperas dos 30 anos da Guerra das Malvinas a argentina tem um governo que tenta de novo aumentar a sua popularidade com o assunto. Cristina Kirshner não governa uma ditadura. Mas tem enfrentado o grupo El Clarín, a Globo de lá. Ao mesmo tempo, ainda não tem respostas satisfatórias para o medo de desindustrialização e desnacionalização que pode ocorrer no país com a força de empresas brasileiras que atuam em seu país. Mídia, sindicatos e empresários a pressionam nesse momento. Por que não uma encrenca internacional?


Do outro lado as coisas também não estão muito boas. O desemprego no Reino Unido é imenso, e o país ainda sente os efeitos da crise financeira de 2008. No horizonte mais sombrio de Londres, uma quebra do Euro e de muitas empresas na Europa afetaria muitos bancos ingleses, credores de muitos países europeus. Na impossibilidade de dar uma reposta que acalme a todos no Reino Unido, uma ameaça de guerra contra a Argentina não é necessariamente uma notícia ruim para o governo inglês. 


E esse teatro avança. Certamente nenhum dos lados quer uma guerra de verdade. Mas encenam tanto que o risco é a brincadeira ficar séria. Um navio militar aqui, um bloqueio naval acolá... Uma convocação de um embaixador hoje, uma expulsão de diplomatas amanhã... Assim dançam Argentina e Reino Unido. Dançam? Não, tocam. Mais uma vez quem corre o risco de dançar serão soldados, dos dois lados. Em especial aqueles do lado mais fraco. E alguém tem dúvidas de quem está do lado mais fraco?


Monday, February 06, 2012

A greve da PM na Bahia é muito mais séria do que parece

A greve dos policiais militares na Bahia merece muito mais do que as cenas espetaculares de quem mais está interessado em disseminar o pânico coletivo do que informar à sociedade. 

Policiais militares no Brasil em geral são muito mal pagos e submetidos a condições de trabalho que, se não os expõe ao risco direto da morte, diariamente os impõe dúvidas: "atiro agora?", "vou morrer?", "esse cara vai fazer alguma coisa?", "essa viatura funciona?".

Policiais militares merecem salários dignos. Assim como também os médicos e os professores. Essa greve é inusitada por isso: quantas vezes professores pelo Brasil afora foram espancados em manifestações públicas por melhores salários? E nisso essa greve se diferencia também. Os grevistas portam armas. Nunca ninguém viu cenas de professores jogando giz na população ou médicos ameaçando com estetoscópios. Mas homens de armas em punho foram vistos nas ruas de Salvador. 


Como em todo grande conflito de posições as versões dos fatos variam e não raro se contradizem. O governo estadual (Jaques Wagner, do PT) afirma que são apenas 1/3 do total de policiais que aderiram à greve.  Os grevistas dizem serem mais. Jaques Wagner foi sindicalista e sabe que os exageros de parte a parte fazem parte de uma disputa envolvendo sindicatos e governos. O curioso é que agora ele está do outro lado da mesa.

A população baiana está insegura e com razão. Lojas saqueadas amedrontam qualquer um. Mas acreditar que uma horda de bandidos resolveu da noite para o dia saquear lojas parece ser bem interessante a quem quer usar o pânico social como arma de luta. Há gente maldosa que acredita serem policiais encapuçados a agitarem saques ao comércio. Não seriam todos os grevistas, mas uma parte mais extremista. 


O líder de uma das associações de policiais - eles não podem ter sindicatos- foi candidato pelo PSDB e se mostra entre os mais exaltados. Estaria fazendo uso político da greve? Claro que sim. Toda greve é política. A questão é saber a quem interessa.


Outro fato importante dessa greve é o pano de fundo: a votação da PEC 300 no Congresso Nacional. Esse projeto de lei estabelece um piso salarial que varia entre R$ 3,5 mil e R$ 7 mil. De acordo com gente que acompanha o caso, muitas associações de policiais estariam forçando a barra para que a aprovação da PEC 300 seja mais generosa e de acordo com seus interesses. 


O palpiteiro não perde tempo com o Jornal Nacional, que normalmente reserva mais tempo ao futebol do que a banalidades como uma grevistas armados amedrontando um Estado inteiro. O palpiteiro também não se "informa' pela veja, que está mais preocupada com a grana do dono do Facebook...


Nessa história toda o palpiteiro tem buscado se informar pelo Terra Magazine, especialmente pelo jornalista Bob Fernandes, cabra bom que honra a profissão. De acordo com ele, há preocupações de governadores de outros Estados sob uma eventual onda de greves como na Bahia. Maranhão e Ceará já tiveram as suas. Espírito Santo e Rio de Janeiro seriam as próximas bolas da vez.

E São Paulo? O Estado mais rico e populoso tem uma PM com 138.000 homens. Se especularmos que 5% poderiam fazer uma agitação como a que ocorre hoje na Bahia, teríamos de cara quase 7.000 homens armados para bagunçar bem as coisas... A questão é saber até que nível há organização como na Bahia e se em São Paulo há tantas divisões. Dizem que na Bahia são pelo menos 30 associações que dizem representar todos os policiais. E em SP?

Um passarinho contou que em SP há um esquema interessante: entre oficiais a insatisfação com baixos salários e péssimas condições de trabalho é compensada com a promessa de cargos na estrutura civil. A Prefeitura de SP tem vários oficiais autuando nas subprefeituras. Outros atuam no Metrô, na CPTM, Sabesp e outras empresas do Estado. Esse mesmo passarinho estrelado e armado disse ao palpiteiro que, curiosamente, há reuniões frequentes com esses altos oficias. Para acerto de vagas, cargos e espaço. O passarinho capitão disse que não tinha cacife para participar dessas reuniões. 

Por baixo, ou seja, entre policiais de patente mais baixa, o jogo é sinistro. A lei determina que os policiais devem respeitar as leis. Prevê também punições severas para abusos de autoridade. Mas uma vez que o Estado não garante aos policias condições mínimas para um trabalho decente e os remunera mal, o que ocorre? É feita vista grossa pelos abusos que cometem. A ideia é bem simples: "para que pegar no pé desses caras que tratamos tão mal?". 


Pois bem, o jogo da hipocrisia parece ter seus minutos decisivos em 2012. A farsa de louvar policias que matam bandidos e que não respeitam leis como forma de acalmá-los por receberem tão mal está em crise. 


A greve na Bahia é muito mais do que uma reivindicação por melhores salários. É política sim. Política de Segurança Pública. Fingir que é um caso isolado não vai adiantar muito. Com a palavra o governo Federal, governadores de diferentes partidos e o Congresso Nacional.


Obs.: há alguns anos, policiais civis em greve foram confrontados com armas em punho por policiais militares em São Paulo, a poucos metros da sede do governo do Estado, onde Serra estava escondido embaixo de alguma cama. Seria interessante saber o que aconteceria no mesmo Estado de São Paulo no caso de uma eventual greve de policiais militares. Como agiriam nossos investigadores, delegados e escrivães? é melhor torcer para que não aconteça...








Sunday, February 05, 2012

Mais números...

O PSDB pretende disputar a eleição para a prefeitura de São Paulo e ainda não sabe quem será o candidato. 

Pior, na discussão interna para a definição do nome, perceberam que não sabiam exatamente quantos filiados o partido possui no município.

Alguém disse que eram 40.000. Pensaram melhor e chegaram à conclusão de que eram 22.000.

Uma outra contagem trouxe a novidade: 8.500 filiados numa lista que pode diminuir ainda mais.


Não bastasse o desencontro de informações, surge a ideia genial. Resolveram contratar uma empresa com gente que saiba fazer contas.


O palpiteiro posta esse palpite num domingo, quase 23:00h, 5 de fevereiro. 


Se em outubro o resultado for negativo para o PSDB na cidade de São Paulo, não estranhemos...

Monday, January 30, 2012

Sabe fazer contas???

Se você aplaudiu a truculência da PM na remoção da favela do Pinheirinho em São José dos Campos como medida necessária e legalmente correta, seria bom repensar o caso.

Claro, famílias desalojadas, crianças chorando ao sabor de bombas de gás lacrimogênio e muitas mães a sofrer talvez não lhe despertem grande compaixão. 


Ao menos compaixão não foi o sentimento que se manifestou na juíza que lavou as mãos no caso; ao governador que aprovou a ação, sob o covarde argumento do respeito à decisão judicial; ao comando da PM que agiu sadicamente, certo de que estaria a ganhar com a demonstração de que zela pelo cumprimento das leis.


Pois se você, como essa turma, não se abala pela condição humana, resta um argumento: grana. 


Parece-me que gente como você acredita que a propriedade privada esteja acima de tudo. 


Pela sua lógica, a propriedade privada é sagrada. Pelo seu olhar, os moradores do Pinheirinho eram antes de tudo "invasores", como prefere dizerem os talking heads da TV Globo. Claro que não lhe deve interessar como os proprietários adquiriram o tal terreno. Talvez você acreditasse na máxima de que "ladrão que rouba ladrão..."


Mas não. Você não tem nem compaixão com famílias, teria com "ladrões que roubam ladrões"?


Pois bem, segue um argumento diferente para você, modelo de cidadão civilizado.



De acordo com o jornal "O VALE", de São José dos Campos, a ação de remoção dos moradores da favela do Pinheirinho teria custado ao governo do Estado R$ 100.000.000,00. Isso mesmo, 100 milhões de reais, caso se atrapalhe com tantos zeros...


O governador Geraldo Alckimin, a justiça (???) de São Paulo e a PM parecem estar certos de que a decisão mais correta e lógica seria mesmo a remoção dos moradores. 


A imprensa internacional noticiou com estarrecimento. (Talvez faltem patrocínios da Sabesp, da CPTM e de outros órgãos estaduais na BBC...). A luz amarela acendeu para aqueles que se lembraram que em 2012 teremos eleições municipais. Talvez alguém tenha se lembrado que as imagens das mulheres e crianças removidas pela tropa de choque do PSDB poderiam ser usadas em campanhas eleitorais em todo o Brasil.


Geraldo Alckimin pensou rápido. Com a velocidade do  congelamento de um picolé de Chuchu. Anunciou um aluguel social e a promessa de construção de novas moradias. 
Um "jênio", enfim. Primeiro criou o problema das famílias desalojadas para depois anunciar com pompa a solução. Curioso é ter gente como você, a aplaudir...


Não tenho grandes esperanças em relação a você. Você não se irrita com o pedágio, acredita na salvação do planeta com a renúncia à sacolinha de supermercado e pouco está preocupado com a educação nas escolas públicas de SP. 

Mas não custa lembrá-lo. A grana gasta na remoção do Pinheirinho poderia ser aplicada na sua rua. Poderia melhorar sua segurança e o hospital público que a sua empregada usa. E que teria sido mais barato, prático e humano, negociar com as famílias do Pinheirinho, antes de baixar a borracha nos tais "invasores". 


Você parece um caso perdido. Mas não custa tentar. Talvez tenha sobrado alguns gramas de humanidade dentro de você. Mesmo que seja necessário apelar para o argumento mais sórdido que organiza sua escala de valores: o dinheiro.


Obs.: Diante desses dados, não custa nada pensar em trocar suas fontes de informação. O jornal "O VALE" fez muito mais ao dar voz ao Robertinho da Padaria, vereador do PPS de São José dos Campos, do que a Globo, Folha, veja, Estadão e CBN fizeram nos últimos dias...

Acesse "O VALE":