Sunday, September 30, 2012

Hebe Camargo e o respeito à vida (ou a falta dele)

Dou aulas de Geografia há de 19 anos. Talvez poucos nomes foram tão lembrados nas minhas aulas quanto o de Hebe Camargo. E tenho certeza de que jamais disse algo de bom a respeito dela. Muita gente deu risada e, de vez em quando, alguém não se continha e perguntava: "Mas por que você não gosta dela?". Para alguns alunos eu dizia as minhas razões. Na maior parte das vezes respondia com outra pergunta: "Por que deveria gostar dela?", ou ainda, "Dê-me pelo menos 3 razões para gostar dela...". Nunca me disseram uma única razão.  

Ontem Hebe Camargo morreu e não foram poucos os amigos que me avisaram. Mensagens pelo celular, recados em caixa-postal e mais de 60 notificações no Facebook me obrigaram a dizer qualquer coisa. 

A primeira coisa que pensei foi explicar, finalmente, as razões de minha implicância com a falecida. Mas julguei que tão importante quanto isso seria deixar claro que não havia motivo para debochar da sua morte. Quem respeita a vida e luta contra os abusos contra ela não tem o direito de brincar com a morte dos outros. Eventualmente uma piada ou outra acaba saindo, em ambiente privado, descontraído. Publicamente não é bom. E no mundo em que vivemos é preciso cada vez mais separar o que é íntimo, privado, daquilo que pode ser público, aberto. 

E eis que aí procuro me diferenciar de Hebe Camargo. A busca pela correção   naquilo que tornamos público. 

Já disse algumas vezes, para algumas turmas de alunos, que um professor deve ter responsabilidade com aquilo que diz. Brincadeiras à parte, manifestações racistas, preconceituosas ou que preguem qualquer tipo de mal individual ou coletivo, devem ser combatidas, mais do que evitadas. Na minha carreira de professor tive períodos de lecionar, semanalmente, para centenas de alunos. Não tive o direito de pregar ódio. E procurei ser cuidadoso com isso. Sempre, apesar de erros.

Hebe Camargo tinha um alcance maior. Em rede nacional de TV atingia milhões de brasileiros. Era descontraída e tinha uma capacidade de comunicação rara. Reconhecer isso não me traz nenhuma dificuldade. Minha repulsa era justamente o que ela fazia com essa capacidade rara de comunicação. 

Quem ler o livro "Autopsia do medo", de Percival de Souza, ficará sabendo de muitas histórias a respeito do maior torturador do regime militar, Sergio Paranhos Fleury. Nele saberá de ao menos uma das relações entre o delegado torturador e Hebe Carmargo. 

Fleury se notabilizou pela capacidade de combater opositores do regime militar, em especial os guerrilheiros.  Ele era um delegado de péssima reputação na polícia de SP, mas foi útil ao empregar suas "técnicas" para a ditadura. Um promotor público de SP, baixinho e fisicamente frágil, chamado Hélio Bicudo, ousou enfrentar o delegado torturador, assassino e ocultador de cadáveres. 

Hélio Bicudo sabia que não podia enquadrar Fleury por crimes de combate a perseguidos políticos. Usou outra estratégia. Resolveu enquadrar o delegado pelos abusos que cometeu ANTES de ser agente da repressão política. Fleury fazia parte de um esquema de assassinatos conhecido como "Esquadrão da Morte", e por ele foi processado e julgado. 

A estratégia de Hélio Bicudo foi tão engenhosa que a ditadura não tinha como livrá-lo da cadeia. A solução para a ditadura foi mudar a lei. Inventou que réu primário não precisava necessariamente ser preso. A lei ficou conhecida como "Lei Fleury". Criada para livrar a cara de um delegado torturador. 

No processo contra Fleury foram arroladas testemunhas de para a sua defesa. Uma delas foi Hebe Camargo. Fleury agenciava policiais que trabalhavam como seguranças para cantores e gente da televisão. Por isso era bem relacionado com gente da TV. A estratégia da sua  defesa foi impressionar o tribunal com uma figura conhecida e muito influente. 

Muita gente pode ser poupada de críticas pelo que fez ou  deixou de fazer durante a ditadura. Hebe Camargo não. Num dos momentos mais tristes da história do nosso país ela escolheu um lado. No caso, o lado de quem não respeitava a vida e a dignidade. E fez isso conscientemente. 

No período pós ditadura não me impressionou que Hebe apoiasse Paulo Maluf e atacasse uma figura como Dom Paulo Evaristo Arns. Não foram poucas as vezes em que vi Hebe Camargo protestar contra defensores de direitos humanos. 

Também não me causou espanto vê-la no falido movimento "Cansei", aquele que tentou explorar politicamente a dor causada pela queda do avião da TAM. O movimento "Cansei" partiu de uma ação nojenta. Usar a morte e a tristeza para interesses político-eleitorais. Hebe Camargo mais uma vez não respeitou isso. 

Num país que valorizasse a vida humana e o respeito ao direito básicos de TODOS, Hebe Camargo não teria público. Não seria proibida de falar as bobagens e as apologias de violência que tanto apreciava. Num país mais civilizado ela simplesmente seria ignorada.

Entendo que uma figura como Hebe Camargo não aparecerá novamente, pela simples razão de que a televisão já não é a mesma. Até poucos anos atrás uma apresentadora de TV tinha um peso muito grande na opinião das pessoas, pois não havia muitas opções. Fico muito feliz hoje em saber que meus alunos ficam mais tempo da internet do que diante da TV. É cada vez menor o número de pessoas que ainda assistem novela e que levam a sério porcarias de programas como os que são apresentados na TV brasileira. 

O que lamento nessa história toda é que a saída de Hebe Camargo da TV brasileira se tenha dado apenas por conta da sua morte. O país que desejo para o povo seria capaz de se livrar desse tipo de conduta sem a morte. 

O respeito à vida me obriga a continuar lutando e me manifestando nessa direção. O respeito à vida humana  que Hebe Camargo jamais demonstrou ter. 

Morreu Hebe Camargo e espero que um dia morra esse jeito nefasto e desumano de usar a TV no Brasil. 



       

59 comments:

Laudemir said...

Texto muito bem escrito. Gostei muito da qualidade de suas ideias. E tenho um alento de esperança para você. Acho que o país já estava ignorando o tipo de TV que Hebe Camargo produzia. Seu programa na RedeTV! tinha audiência baixíssima. E ela iria voltar para o SBT, mas não mais um semanal em horário nobre, mas em um mensal. Seu espaço sumiu. Ou - temo - tenha sido transferido para outras excecrações. O terror neste país é transmorfo...

Peter. said...

Excelente Moraes, muitos de nós certamente não sabíamos dessa história, obrigado por esse post esclarecedor.

Parker.

Il.Junior said...

Bom texto...mas a significância da Hebe na TV brasileira é de extrema importância, e única. Ela reinventou o modo de se fazer Televisão, e conseguia cativar o público como nenhum outro apresentador[a], e nunca existirá nenhuma outra pessoa com tais qualificações, é o que aprendo sempre na profissão de comunicação. Ela conseguiu, em tempos dificeis, transformar em algo mais humano e que se aproximava do público de modo verdadeiro.
Julgar pelos erros políticos não é um argumento válido, pois ela mesma ja se desculpou das opções e posições políticas que já tomou, e todos nós ja erramos alguma vez nisso, aposto que você tambem.
Quem conviveu com ela, sabe a falta que ela ira fazer, como pessoa e como profissional.

Anonymous said...

Tal como a pessoa que entre nós não se encontra mais,creio que era sábido que sempre teve um pé ou dois para melhorar o apoio aos militares,concordo e tal como muitos na net,tv,rádio apoiam ainda essa postura de governo,o que não posso concordar contigo parceiro é alguns não serem expostos as ações politicas que fizeram a ditadura,sou da idéia de fez paga.

Leonardo Napolitano said...

Opinião realmente forte e inusitada para o momento. Se anos de exposição indireta não me fizeram formar opinião sobre Hebe Camargo, uma anti-homenagem também não vai mudar muito a situação. Tentar debater qualquer assunto que envolva a tortura durante a ditadura é complicado, mas não podemos simplificar demais a questão. A Hebe defendeu um torturador então era a favor da tortura? Pode-se sim colocar um fato desse sob a ótica dos direitos humanos, mas não se pode ignorar que a promoção de entretenimento de massa sem apelo para a baixaria também tem seu mérito

Anonymous said...

"Julgar pelos erros políticos não é um argumento válido, pois ela mesma ja se desculpou das opções e posições políticas que já tomou."

É mesmo? Infelizmente creio que o senhor está equivocado. Quer separar a vida profissional da vida pessoal e as decisões que os indivíduos tomam? Quer dizer, se um ex-médico da ditadura e que legitimava as barbaridades que ali aconteciam, hoje é exímio profissional, devemos absolvê-lo de seus erros? Aceitar meramente suas desculpas?

Hebe podia ter carisma e saber cativar o público. Mas não há inocentes nisso tudo. Sabia muito bem o que estava fazendo.

Rafael said...

"Julgar pelos erros políticos não é um argumento válido, pois ela mesma ja se desculpou das opções e posições políticas que já tomou."

É mesmo? Infelizmente creio que o senhor está equivocado. Quer separar a vida profissional da vida pessoal e as decisões que os indivíduos tomam? Quer dizer, se um ex-médico da ditadura e que legitimava as barbaridades que ali aconteciam, hoje é exímio profissional, devemos absolvê-lo de seus erros? Aceitar meramente suas desculpas?

Anonymous said...

"Fico muito feliz hoje em saber que meus alunos ficam mais tempo da internet do que diante da TV." Moraes, saiba que é impossível passar por suas aulas sem adiquirir um senso crítico vital. Aproveito para congratular-te pelo modo ético como leciona. Vc sim tem grande parcela de influência positiva no desenvolvimento das novas gerações. Orgulho de ser sua aluna.

Anonymous said...

Depois da tv tanto espetacularizar a morte, o privado dos outros, nada melhor do que fazer com seus próprios agentes, à vista de Hebe e outros.

Il.Junior said...

@Rafael, não misture posição de opinião, com atitudes legitimadas...e todos nós ja tomamos SIM posturas políticas erradas em algum momento da vida...E ela SIM, foi um exemplo de profissional no ramo da comunicação, consagrada no país e reconhecida no exterior. Acho fácil falar sobre a figura dela, mal ou bem, mas difícil vai ser fazer igual. E como pessoa, não preciso nem falar sobre a luta dela com a vida, que inspirou muitas pessoas a não desistirem de viver. Não estou aqui pra defender ou julgar ninguém, só exponho minhas idéias. E independente desse texto ou não, tenham certeza que ela mudou a vida de muitas pessoas nesse país, principalmente pela força de viver.

pacamanca said...

Reconhecida no exterior onde?

Diene G. Gimenes said...

Paulo, gostei muito do seu texto. Sempre tive este sentimento em relação à esta figura pública (e a tantas outras), mas a força do seu texto não reside na paixão e sim na exposição de um questionamento sobre a postura que alguém que tinha o alcance de público que ela tinha, e o uso que fez disto. Alguém nos comentários acima citou que ela tem mérito por levar entretenimento ao público sem apelas para baixaria; peço desculpas antecipadas pois posso estar equivocada no meu entendimento, mas se por baixaria estamos pensando em nudez e outras indicações de conotação sexual, eu gostaria de acrescentar que existe uma baixaria no sentido político, que inclui respeito aos telespectadores e a capacidade intelectual destes... todo e qualquer programa que busque levar entretenimento através do besteirol-passatempo, para mim, continua sendo baixo. Por que não fazer uso de um espaço com potencial tão grande para levar informação e conhecimento útil as pessoas?
Ressalto novamente que as questões do texto e a forma como são elencadas estão ótimos. Serve, não de julgamento aos mortos, mas de questionamento aos vivos... por que tantos fazem questão de absolver uma ação política como foi a dela em depor a favor do torturador?... talvez isto diga mais de cada um do que dela, talvez absolvendo-a, não estamos buscando legitimar um 'escorregão' que contamos como possível para nós? Se fossemos, nós brasileiros, mais sérios, se tomássemos mais à sério nossas escolhas, estas negociatas pouco consistentes não seriam necessárias.

Sérgio de Moraes Paulo said...

Diene,

não concebo a possibilidade de que Hebe tenha cometido um "escorregão" ao defender um torturador. Ninguém acorda cedo e, repentinamente decide ser testemunha num processo dessa magnitude.

Foi ato consciente, pensado e devidamente calculado. Numa época em algumas corajosas almas como Hélio Bicudo lutava contra a escuridão, Hebe ficou do lado ruim. Convicta.

Agradeço muito as suas palavras.

Abs

Carlos Oliveira said...

A morte e a vida devem ser respeitadas. Porém, achei um insulto o velório ser realizado no Palácio dos Bandeirantes, com cadetes da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Apenas pelo fato de ela ser uma figura pública tem o direito de ser velada com o dinheiro público? Não foi chefe de estado, nunca foi eleita pelo povo para nenhum cargo. Por que disso?

Rafael Gonzalez Fernandes said...

Muito bom o seu teto, eu mesmo era uma pessoa que admirava a Hebe, pela sua alegria e força de viver, mas nunca soube desse tipo de ato, cometido por ela e sei que deve ter sido cometido por tantos outros que estão até hoje na TV.

Geraldo Ramos Junior said...

Feliz em saber que temos ainda professores sábios que estão preocupados com seus alunos. Texto excelente, revelador e bem escrito.

Pedro C said...

Caramba, eu tive aula com o Moraes no terceiro ano do colegial em 2oo7 (inclusive foi um dos nossos professores homenageados na formatura), e no ano seguinte pelo cursinho, um especial de humanidades aos sábados. Hoje sou estudante de economia da Universidade Federal de Santa Catarina.

Quando Hebe Camargo morreu, a primeira pessoa em quem pensei foi no Moraes, até porque nunca havia ficado claro o motivo de tanta implicância (leia-se boas piadas). Foi uma grande surpresa ter chegado a esse blog, que nem ao menos eu sabia que existia, depois de reconhecer a foto do autor em um compartilhamento do facebook, e, sinceramente, me sinto aliviado agora, pois pensava que jamais fosse descobrir o motivo de todas aquelas piadas "maldosas".

Assim, só nos resta agora esperar pela morte da revista veja e então poderemos viver em um mundo melhor.


Joeferson said...

Àqueles que insistem em elencar as qualidades do carisma e capacidade de comunicação de Hebe eu lembro um outro sujeito, muito famoso pelo carisma e capacidade de comunicação: Hitler.
Não basta ser um grande comunicador para receber palmas, existem outras coisas em jogo no mundo da comunicação...

Ellen said...

É sempre bom deixar a história falar por nós. Já diz o ditado que "contra fatos, não há argumentos". Precisava ler algo assim para saber que minha opinião não está só. Ótimo texto

Anonymous said...

para de projetar junior, só pq vc constantemente tem opiniões equivocadas(como esta que apresenta defendendo a aproveitadora hebe) não pense que isso necessariamente se aplica a todos, esse tipo de pensamento é de uma desconsideração com o rigor científico que claramente qualquer discussão civil necessita.

Anonymous said...

Sempre buscamos um alinhamento virtuoso e coerente nas ações das pessoas. Principalmente depois de mortas. Ora bolas. É de esquerda, é do bem, da justiça, etc. É de direita, é do mal, etc. O texto é bem escrito mas se espremermos fica nessa clivagem.
A história está cheia de exemplos "contraditórios": Pablo Neruda (o grande poeta do partidão) deu guarida a Ramón Mercader (assassino de Trotski no Chile) - Jorge Luis Borges apoiou a ditadura Militar Argentina - Nelson Rodrigues era um reacionário machista, e aí? Pelo raciocínio exposto todos estão na lata de lixo da bela e correta história que se quer contar mas infelizmente a vida é mais complexa, irônica e incoerente do que gostaríamos que fosse

Unknown said...

Quero parabenizá-lo pela coragem de tornar público esse texto em meio a comoção que toma conta do país.
Eu não tenho nada contra a Hebe, mas nunca a apreciei. Acredito que o que propiciava esse "carinho" que o público devotava à ela, nada mais era do que o comodismo mesmérico que a maioria do povo busca nos progamas de TV, como novelas, Caldeirões, Domingos Legais ou Domingão do Faustão. As pessoas experimentam uma sensação de prazer diante de cliches e chavões utilizados por esses apresentadores, como "uma gracinha", "linda de viver", "Ô loco, meo!" "Loucura, loucura, loucura". Isso funciona como o prêmio que recebiam os cães nas experiências de Pavlov, fazendo-as deixarem-se levar pelo esquecimento dos problemas do dia-a-dia.
Ainda bem que tudo passa e as pessoas boas ou más são dragadas pelos tentáculos do oblivion.

PAULO R. CEQUINEL said...

Perfeito seu texto, e tanto que vi-me obrigado a tomar duas providências: uma, reproduzi-lo em meu modesto blog e, duas, oferecer seu link (que está na Mixórdia de Blogs Sujos).

Anonymous said...

Quanta imbecilidade... Quanta besteira falada nesse blog sobre um país que não vai mudar nunca. Quanta perda de tempo, discutindo um assunto que não vai a lugar nenhum. A Hebe era um saco, não gostava dela simplesmente por isso. Ligar tal figura a ditadura é ridículo. Fulaninho de tal, professor, acorde para a realidade! O Brasil não vai ser mudado! Em tempo, eu também não tenho nada para fazer!

Sérgio de Moraes Paulo said...

Anonymous,

o respeito À vida transcende a polarização direita X esquerda. Os dois lados erraram quando abusaram dos direitos humanos para alcançar seus interesses.

Não entender isso é não entender o século XX.

Não entender isso é não saber as razões que levaram a revista Time a colocar Stalin na capa de homem do ano, por conta da luta contra o nazismo.

Lamento que tenha se restringido ao julgamento ideológico.


Abs

RICARDO AGUIEIRAS said...

Achei o seu texto uma tanto contraditório e dominado por ideologia de esquerda. Você é democrático? Bom, se for, permitirá meu longo comentário, já que sou seu leitor.
-- Em primeiro lugar acho banal falar que um texto de um professor de geografia é "muito bem escrito", como fizeram outros leitores seus, aqui. Afinal, você é um professor. Depois, você começa se elogiando , falando no quanto você foi politicamente correto em suas aulas, fala da sua responsabilidade nas suas aulas e a vida sempre me ensinou a desconfiar de pessoas que se auto elogiam, geralmente ocorre o contrário do discurso da pessoa. Mas, não o conheço pessoalmente e nem sou dono da verdade, então vamos lá. Antes quero dizer que desde a queda do muro de Berlin não dá mais para dividir o mundo entre "esquerda" e "direita", acho que as contradições humanas vão muito além disso e o mundo é colorido, não apenas preto e branco e não há apenas o "bem" e o "mal".
você tira de um contexto duas situações da vida da Hebe Camargo: Uma, ao testemunhar a favor do maior criminoso brasileiro do Século XX, o delegado Sérgio Paranhos Fleury. Eu vivi muito aquela época e sei que a maioria das pessoas não sabiam o que ocorria no país, exceto os intelectuais e os guerrilheiros, a imprensa era censurada e, muitas vezes, até mesmo comprada e ameaçada. As pessoas acordavam, levantava de suas camas, trabalhavam o dia todo e voltavam de noite para as suas casas. Como é até hoje, aliás. Hebe Camargo sempre foi muito ingênua, duvido que ela soubesse que estava testemunhando a favor de um torturador sanguinário. E, em sua ingenuidade, ela tinha fascinação pelo poder. Como a maioria das pessoas também têm. O próprio livro do Percival de Souza, que você cita, foi escrito muito depois que o projeto de democracia tinha se estabelecido no Brasil e muito depois que a ditadura acabou. Se Percival já sabia daquelas coisas, por que ele não disse na época?? As pessoas viviam com muito medo... (cont)

RICARDO AGUIEIRAS said...

...continuando: Não se pode retirar um fato de um contexto e, a partir daí julgar uma pessoa num todo, ou uma artista. Se fosse assim, eu iria ignorar toda a carreira vitoriosa de grande cantora de Elis Regina, apenas levando em consideração o fato dela ter cantado o Hino Nacional numa cerimonia do Exército, em plena ditadura. Posso fazer isso, acho que não... Ou então, será que eu poderia desqualificar toda a carreira de grande jurista e advogado corajoso que foi o Hélio Bicudo, que você mesmo cita, por que ele, ao ser vice prefeito de Marta Suplicy em São Paulo, revelou toda a sua grave homofobia ao falar que "era terminantemente contra o homossexualismo(SIC)"? Será que posso?
Eu poderia, por exemplo, pegar um fato de sua vida de professor, digamos, uma situação hipotética onde você em sua sala de aula tivesse ignorado uma manifestação de bullying ou de preconceito entre os seus alunos e julgar você como um todo?
O que sei é que as pessoas viviam com medo, apavoradas, na ditadura. Nunca interessou aos poderosos - assim como não interessa também aos poderosos de hoje - que as pessoas refletissem, pensassem... Não somos o país do futebol, do pão e circo, onde uma bola vale mais que um livro? Não somos educados assim?
Hebe tinha, evidente, um monte de graves defeitos. Mas tinha, também, qualidades maravilhosas, nunca foi homofóbica, por exemplo. Ao contrário da maioria dos que fazem TV, hoje: CQC; Pânico, Datena e etc., ao contrário ela abriu espaço para muitos gays e travestis, drags em seu programa, deu emprego para toda uma parcela discriminada e estigmatizada, inclusive por muitas escolas por aí...Ela sempre procurou passar alegria para as pessoas... e esperança... isso é errado? E você? Que alegria e esperança você passa? Você leu direito o livro que você mesmo cita, do Percival de Souza? Por que, se leu mesmo lembrará que nem mesmo a advogada que foi durante anos amante do Fleury sabia o que ele fazia...ingênua como a Hebe, ela procurou o Fleury para ver se ele podia fazer algo em defesa do irmão dela, um comunista perseguido... risos... então, as pessoas sabiam do que ocorria? Ou só você e os detentores do Saber, do poder opressivo do Saber em cima dos que não sabem é que sabia? O que você fez na ditadura para combatê-la? Eu, pelo menos, era do movimento estudantil... Por que você não falou tudo isso quando Hebe estava viva e não foi protestar em frente ao SBT?? E hoje, você se conforma com os e as apresentadores/as que aí estão?
Enfim... o que me cansa mesmo é ver gente posando de juiz depois que o outro morre, faz em vida!
Ricardo Rocha Aguieiras
aguieiras2002@yahoo.com.br

Sérgio de Moraes Paulo said...

Ricardo Aguieiras,

- Se sou democrático? Tento ser. A publicação de TODOS os comentários nesse espaço segue esse princiípio. Apesar de erros, tenho certeza que dou mais espaço à crítica e ao contraponto do que Hebe Camargo.

- Quanto aos elogios, nada posso fazer. Eu os recebo, publico e comento os que mais me sensibilizaram. Se os elogios a mim o incomodam, sugiro que converse com as pessoas que os fizeram.

- Não procurei me "auto-elogiar", pois não preciso disso. Procurei levantar a discussão quanto à importância de procurarmos responsabilidade naquilo que dizemos publicamente. Poderia utilizar outros exemplos. Dei o meu, não por ser o melhor, mas por ser o que mais me aproxima dos leitores que por aqui passam. Eles sabem que sou professor.

- Em relação ao depoimento de Hebe Camargo discordo de sua "ingenuidade". O medo nos leva à fuga, ao silêncio e à resignação. Ao contrário das muitas pessoas que passaram pelas mãos de Fleury, Hebe Camargo não foi torturada para defedê-lo. No mais, na redemocratização ela jamais denunciou qualquer caso de que fosse obrigada a colaborar com o regime instalado. E SEMPRe se colocou ao lado dos que pregam a violência como ação de Estado.

- Em nenhum momento julguei Hebe Camargo por ser de direita ou de esquerda. Julguei-a e a julgo pela colaaboração a formas de ação política que empregam o terror, a violência e a mentira para exercer o Poder. Eu sempre me divirto com aqueles que me julgam por "esquerdismo" sem ao menos reparar o quanto são "anti-esquerdistas"...

O senhor diz que eu não li direito o livro do Percival de Souza. Talvez eu possa lhe dizer que não leu direito o que escrevi.

-Não posso ser responsável pelas interpretações que faz de minha pessoa sem me conhecer.

O que fiz durante a ditadura? Tomei mamadeira, aprendi a andar e torquei os dentes-de-lei pelos permanentes. Nasci em 1972 e estava ocupada com outras atividades mais apropriadas ao meu momento de vida.

Desculpe-me pela minha omissão em não poder atuar no movimento estudantil com menos de 8 anos de idade...


Todos erramos.


Rita de Cássia de Araújo Almeida said...

Excelente texto!!! Muito bem escrito e com contribuições pertinentes...valem pra gente pensar. Estou adicionando seu blog ao meu. Se quiser fazer uma visita...também gosto de escrever textos para fazer pensar...
http://ritadecassiadeaalmeida.blogspot.com.br/

um abraço e parabéns!!

Adriano de Campos said...

CONCORDO PLENAMENTE!!!

Adriano de Campos said...

CONCORDO PLENAMENTE!

Almir Ferreira said...

É por isso que eu acho que conhecer história é tão importante para que não façamos papel de idiota, reverenciando uma pessoa acriticamente.

Não sou do tipo que acha que alguém tem o nome ou o passado automaticamente purificados pelo simples fato de terem morrido. Então esse texto excelente sobre a Hebe merece ser divulgado.

Parabéns pelo post.

Almir Ferreira
Rama na Vimana

misnape said...

"Num dos momentos mais tristes da história do nosso país ela escolheu um lado. No caso, o lado de quem não respeitava a vida e a dignidade. E fez isso conscientemente. "
me perdeu nessa frase
vc ai também está conscientemente escolhendo um lado, o que não faz dele o certo

operasdesabao.com said...

Sérgio,

muito bacana lançar luzes sobre um posicionamento político da falecida e reafirmar humanismo e humanidade num contexto em que estamos ainda tentando entender os descaminhos da nossa história recente.

Como figura pública, Hebe foi objeto de amor e ódio. Vejo-a como aquela tia paulistaníssima, malufista, crendo na política como organizadora da ordem - mas nem por isso menos engraçada.

No Roda Viva de 87 (reprisado neste fim de semana na Cultura), deu pra ver bem essa ideia de política marcada pelo personalismo, cordialidade (a favor de Maluf, contra Sarney, por exemplo). Nesse ponto, me pergunto: o que ela tem de diferente de nós outros brasileiros? Feliz ou infelizmente, essa é uma maneira bem brasileira de ver a política. Pode mudar, mas ainda é característica nossa.

Agora, como parte da história da nossa TV, inventou uma forma de adentrar as casas das pessoas - e acho que nisso ela foi bem original. (Recomendo, inclusive, a leitura do "A noite da madrinha" do Sérgio Miceli, na linha da sociologia da cultura, um dos primeiros trabalhos sérios sobre tv no Brasil).

Só me ressinto, então, dessa posição de "demonizar" a TV e glorificar a internet como depositária da liberdade, do debate, ou mesmo da qualidade de informação. Quem deixar de ver TV e virar um leitor de comentários em uns blogs e sites por aí, já tem carteirinha do fascismo. Enfim, só acho essa uma polarização bem boba quando se pensa nas poucas empresas 'controladoras' da internet e nas poucas cabeças pensantes na 'blogosfera'(há muito mais replicância de ideias do que produção, efetivamente - e algumas cabeças da tv e da mídia impressa só trocaram o meio e continuam formando e desinformando por aí... Daí a minha implicância por oposições simples.)

Que os debates persistam!

Abraço!

Pedro

TRVD said...

Achei muito apropriado seu texto. Como nasci em 1962, vivi muito dos problemas da época da ditadura militar. Dizer que Hebe Camargo era ingênua, como alguns dos comentários quiseram inferir é no mínimo "ingenuidade" em si. Então uma senhora que se manteve na TV com um público como o dela, por tantos anos, é ingênua? Se for assim, também existe papai noel e coelhinho da páscoa. Vale também lembrar, que infelizmente nos tempos de hoje, não foi só a Hebe que se associou ao Maluf. Agora até o PT faz isso... Triste país este nosso. O que me preocupa mais, não é apenas uma pessoa como Dona Heve falecer e fazerem este circo todo por ela, mas sim pessoas muito mais importantes para a vida e sanidade deste país falecerem, não receberem o mesmo tratamento do circo da mídia e a gente não vê a nova geração trazendo substitutos à altura dos que estão morrendo. "Produzir" outras Hebes é fácil, mas outro Millor, outro Quintana... Estes são raros.

Alexandre Nobrusco said...

Concordo com vc..
Ela não foi "ingênua" ao apoiar Paulo Maluf, entre outras coisas...

ju.araujoperes@gmail.com said...

Quando era criança, o programa da Hebe era o único que me era permitido assistir até um horário tardio, hora de criança estar dormindo. A família se reunia para ver o programa - como fazia também aos domingos para o "Topa Tudo por Dinheiro". Hoje, compreendo a atrocidade que era este programa, bem como as maneiras não ilegais, mas injustas, que fizeram Silvio Santos enriquecer. Quando me tornei um pouco crescida, não conseguia entender por que a Hebe falava em favor dos pobres, dos necessitados por tantas vezes em entrevistas e em seu programa, mas ostentava tantas jóias caríssimas. Hebe também falava contra a injustiça e tecia opiniões, muitas vezes adotas pela minha família, que hoje compreendo serem reacionárias e que ainda ressoam em conversas familiares. Não posso, nunca poderei, desprezar o fato de que ela era realmente boa comunicadora, e que se nos permitíamos, o seu sorriso nos levava aonde ela queria. Eu vou lamentar sim a morte de um ícone infantil meu. Sem esquecer de lamentar que bons comunicadores muitas vezes não comunicam boas coisas.)

ju.araujoperes@gmail.com said...

Quando era criança, o programa da Hebe era o único que me era permitido assistir até um horário tardio, hora de criança estar dormindo. A família se reunia para ver o programa - como fazia também aos domingos para o "Topa Tudo por Dinheiro". Hoje, compreendo a atrocidade que era este programa, bem como as maneiras não ilegais, mas injustas, que fizeram Silvio Santos enriquecer. Quando me tornei um pouco crescida, não conseguia entender por que a Hebe falava em favor dos pobres, dos necessitados por tantas vezes em entrevistas e em seu programa, mas ostentava tantas jóias caríssimas. Hebe também falava contra a injustiça e tecia opiniões, muitas vezes adotas pela minha família, que hoje compreendo serem reacionárias e que ainda ressoam em conversas familiares. Não posso, nunca poderei, desprezar o fato de que ela era realmente boa comunicadora, e que se nos permitíamos, o seu sorriso nos levava aonde ela queria. Eu vou lamentar sim a morte de um ícone infantil meu. Sem esquecer de lamentar que bons comunicadores muitas vezes não comunicam boas coisas.)

Anonymous said...

Já reparou que todo mundo que fala que não faz mais sentido "esse negócio de esquerda e direita" é, invariavelmente, de direita?

Lena said...

bicho, que inveja dos teus alunos.

Coisas miúdas ou graúdas said...

Nunca gostei da Hebe. Não sabia de nada disso sobre ela, mas simplesmente não gastava meu tempo com ela (nem com o Ratinho, Ana Maria Braga,Fátima Bernardes, BBBs, Fazendas, CQC, JO Soares e etc)...
A TV brasileira é mantenedora de estereótipos que não alimento e nem desejo ver alimentado.

Gostei do seu texto, professor. Gostei e ele é válido. A história precisa ser vista. Não é pq morreu (ou está quase pra morrer) que o passado deve ser esquecido.

Nunca fui sua aluna (e é pena que nem todos os professores investem em formação do leitor crítico --- das obras e da vida) mas é bom saber que existe gente na sala de aula que produz e não apenas reproduz (alguns nem isso).

Saudações respeitosas.

Anonymous said...

Vejam a repercussão estrondosa desse texto em meu perfil do Face...

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10151069913388333&set=a.10150247180418333.322833.728403332&type=3&theater

Sanderson Oliveira said...

A repercussão deste texto foi estrondosa no Facebook...

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10151069913388333&set=a.10150247180418333.322833.728403332&type=3&theater

Blog do Miguel Delgado said...

Você escreve bem, mas foi covarde.Dizer tudo o que vc disse sem que a pessoa, no caso a Hebe Camargo, possa se defender, foi vil. Esse papo de ditadura com cheiro de mofo já cansou, tanto que somente Petistas e seus simpatizantes continuam cultuando esse período de nossa história. A conta pelo que o PT está fazendo ao país tem um preço e bem alto e este será cobrado brevemente. Ter tirado milhões das pobreza com compra de votos não fará nosso país ir para o patamar dos desenvolvidos, nuito pelo contrário. Pessoalmente a Hebe não cheira nem fede, mas torça para que ninguém publique seu "passado"seja ele qual for depois de sua morte, sem direito a defesa. Uma vez mais, vc foi covarde!!!

Blog do Miguel Delgado said...

Caro Sergio, seu texto está muito bem escrito, porém sua covardia é proporcional. Se vc pensava tudo isso dela, porque não publicou esse histórico quando ela ainda estava vica e poderia se defender. Quem garante que tudo o que vc disse é fato? Fazer julgamentos desse tipo é bem típico da esquerda brasileira, que adora esconder a sujeira debaixo do tapete. A conta pelo que o PT está fazendo com o país se'ra bem alta e advinhe quem vai pagar??? os de sempre, a classe média e os pobres. Converse com economistas para entender como esse governo petista anda manipulando dados economicos. É estarrecedor o como nossa economia anda cada vez mais de lado, apesar dos dados divulfgados. Dona Dilma vai a New York criticar os paises desenvolvidos de protecionismo!!! É simplesmente rídículo afirmar isso quando o Brasil é um dos paises com maior indice de protecionismo economico!!!. Voltando ao tema, esse papo rançoso de quem matou mais na ditadura, de quem fez isso ou aquilo, é só para cobrir o sol com a peneira, pois o grande intu;ito de Zé Dirceu e Lula eram estabelecer uma ditadura de esquerda aos moldes de Chavez, Fidel dentre outros. Uma vez mais, vc foi covarde em relação a Hebe.

MIguel said...

aro Sergio, seu texto está muito bem escrito, porém sua covardia é proporcional. Se vc pensava tudo isso dela, porque não publicou esse histórico quando ela ainda estava vica e poderia se defender. Quem garante que tudo o que vc disse é fato? Fazer julgamentos desse tipo é bem típico da esquerda brasileira, que adora esconder a sujeira debaixo do tapete. A conta pelo que o PT está fazendo com o país se'ra bem alta e advinhe quem vai pagar??? os de sempre, a classe média e os pobres. Converse com economistas para entender como esse governo petista anda manipulando dados economicos. É estarrecedor o como nossa economia anda cada vez mais de lado, apesar dos dados divulfgados. Dona Dilma vai a New York criticar os paises desenvolvidos de protecionismo!!! É simplesmente rídículo afirmar isso quando o Brasil é um dos paises com maior indice de protecionismo economico!!!. Voltando ao tema, esse papo rançoso de quem matou mais na ditadura, de quem fez isso ou aquilo, é só para cobrir o sol com a peneira, pois o grande intu;ito de Zé Dirceu e Lula eram estabelecer uma ditadura de esquerda aos moldes de Chavez, Fidel dentre outros. Uma vez mais, vc foi covarde em relação a Hebe.

PROFESSOR said...

Molhando o bico... Nao ser homofônico então e uma qualidade??? Que inversão em meu caro! Boa Mestre Moraes! A inteligência incomoda! Ah em tempo agora entendi pq o movimento estudantil fracassou... Moraes nao participou e aqueles que o fizeram.... Bem nao dizerem direito! Mas como poderiam né?

Sérgio de Moraes Paulo said...

Amigos,


por que nunca havia escrito isso antes?

Simplesmente por que escrevo o que eu quiser quando eu quiser...rs...

Não tinha conhecimento de minha covardia.


MAs tenho consciência da minha liberdade de expressão.

Não queria lhes desagradar, mas liberdade de expressão envolve também o direito de escolher o momento de nos manifestarmos.

Se os desagrado por isso, lamento.

Grande e covarde abraço

Rita Oliveira said...

Professor Sérgio, adorei seu texto! Mas um ponto devo discordar: a internet tem um mundo de informações, muitas inverdades, muita coisa que pessoas mais jovens podem não questionar. É possível formar seitas pela internet ou simplesmente divulgar mentiras.

Anonymous said...

Recordar é viver: Hebe foi uma das líderes da "marcha da família com Deus pela liberdade", iniciativa que encorajou o golpe militar contra o presidente João Goulart. Foi uma das maiores propagandistas do regime em programas de TV. Fez campanha para Collor e foi contra seu impeachment. Foi a maior entusiasta do malufismo, mesmo quando seu ídolo foi preso por roubalheira. Ridicularizava Lula e a esquerda em seus programas de TV. Era um monumento a futilidade e ao consumismo.

Sérgio de Moraes Paulo said...

Rita Oliveira,

concordo com você. Disseminação de ódio, abusos de toda natureza e outros problemas podem ser facilitados pela internet. Mas tenho notado que os ganhos tem sido maiores do que as perdas. COisas horríveis tem acontecido. MAs no final das contas aposto no otimismo.

Obrigado a abraço.

Anonymous said...

Olha, covarde talvez não. Agora, oportunista, disso não tenha a menor dúvida. E com um senso temporal realmente primoroso. O senhor já não gostava de Hebe Camargo antes de saber da história toda, uma vez que o livro foi publicado em 2000 pela Editora Globo, e o senhor começou a lecionar em 1993. A não ser que já soubesse de tudo antes de Percival de Souza, e se omitiu, o que é grave para um ativista dos Direitos Humanos, na minha opinião. Vale citar que outras pessoas famosas constam na lista dos 999 convidados para testemunhar... Mas o que daria um bom número de comentários ao blog seria falar da finada apresentadora, horas depois de seu sepultamento. A pós-modernidade e as tecnologias digitais permitem a todos os seu 15 minutos de fama, mas nem próximo da notoriedade de uma "Hebe Camargo". Como o senhor mesmo disse é professor, não é jornalista, portanto desconhece a prática de se ouvir os dois lados. Mais uma vez vem à tona a oportunidade brilhante deste post. Não lhe passou pela cabeça qual a razão da artista não ter vindo à público dar satisfações. Pode me responder que não era interessante para ela, ou o assunto não repercutiu tanto. E o senhor, porque não buscou esta resposta direto na fonte, já que no livro todo o nome "Hebe Camargo" é citado DUAS vezes? Puxa, me esqueci, o senhor não é um jornalista... desculpe. Eu sim, sou um. E não vou discutir os fatos publicados no livro, pois a principal envolvida não pode mais responder. E não respondeu na época pois ninguém a procurou, ou o senhor acha que realmente um assunto desses passaria em branco pela chamada "mídia sensacionalista"? Seria mais bonito da sua parte responder aos seus alunos (antes de 2000, claro) que simplesmente não gostava dela, ninguém é obrigado a nada. As circunstâncias e o momento é que explicam certas atitudes, talvez como a de Hebe, e certamente como a do senhor... Ah, professor, a primeira palavra do título do mencionado livro é uma paroxítona, portanto tem acento agudo na letra O.

Anonymous said...

Eu nunca gostei da Hebe simplesemnte por não ter empatia com ela e pronto... mas minha lista nessa tv-lixo-aberta brasileira é bem grande...
Mas minha questão é: pq vc esperou ela morrer pra escrever isso? Foi o que realmnente no final mais ficou na minha cabeça...
Abçs

Sérgio de Moraes Paulo said...

Anonymous,

não sei se você é a pessoa que me chamou de covarde, oportunista ou de Professor.

O problema de não se identificar é esse: ser confundido.

Não escrevi nada a respeito da Hebe por que não tinha o que dizer.

Quando ela padeceu, fui questionado por mais de 100 pessoas em pouco mais de 4 horas.

Em respeito e consideração a essas mais de 100 pessoas, decidi escrever.

Essa postagem teve mais de 10.000 visualizações desde que foi publicada, no domingo. Minha média de acessos diários está entre 80 e 200 acessos, a depender do que posto e das datas.

A repercussão do que escrevi foi muitas vezes além do esperado. Escrevi para quem me conhece pelo que falo e escrevo.

Além disso, não vi uma única manifestação contrária à santificação midiática da Hebe.

Vi o governador do meu Estado, pataticamente, cedendo o espaço do Palácio dos Bandeirantes para velar a dita cuja.

Num ambiente uníssono, minha opinião soou muito diferente. No próprio.

No mais, se ler com atenção os primeiros parágrafos do que escrevi, verá que me justifico pela inicativa de tudo o que falei.

Abs, seja lá quem o senhor ou senhora anonima for.


Nota: de acordo com a nossa Constituição, todos temos direito à liberdade de expressão, sendo vedado o Anonimato.

Afirme o que que quiser, desde que assuma o que disse, e responda.

Fiz a minha parte. Opinei e me identifiquei.

Quem é covarde??

Anonymous said...

Vc é um louco

Puman kool said...

Amigo, nao se esqueca de que errar eh humano e todos erramos em algum momento da nossa vida, Hebe esta morta e agora vale so a DEUS julga-la pelos seus erros ou suas boas acoes aqui na terra ...ninguem mais tem esse direito ,nem voce ! deixamos os mortos descancar em PAZ!
Vamos nos preocupar com os vivos que estam ai fazendo merda e prejudicando a humanidade !!!
Vamos deixar os mortos descancar em PAZ.

Professor veterano said...

Tem toda a razão o Puman kool... Deixemos em paz os mortos! Toda essa discussão é inócua. O que importa é que o Carlos Henrique Gouveia de Melo foi condenado pelo mensalão! Vamos comemorar, gente! Pela segunda vez na História do Brasil, poderosos são punidos (a primeira foi com o Collor, lembram?). Isso são instituições consolidadas! Esses são os vivos q vinham fazendo m... Esperemos q sirvam de exemplo para futuros ladrões. Pena q não pegaram o Ali Babá, né? E não cola o papo de "conspiração das elites", já q as elites foram condenadas, e por juízes nomeados por seus próprios amigos... Ah, colegas professores, cuidado para não catequizar os alunos com suas próprias opiniões. Um abraço a todos.

Mariel Liberato said...

Moraes, juro que tenho um pouco de medo dos comentários que li acima...

Seu palpite revela não apenas uma figura pública que estava do lado de quem bate palma para o uso da força do estado de tal sorte a desrespeitar qualquer direito humano, mas, pelos comentários... Ai, ai, ai... Tem muita gente batendo palma...

E, Moraes, fique tranquilo: vc não catequizou ninguém enquanto aluno, não ligo que vc não colocou o acento na palavra proparoxitona(que isso?!)... ligo para o senso crítico que vc despertou em muitos alunos e com, certeza, para o conteúdo que vc posta.

Mariel.

Hikari said...

Bom, se formos pensar assim, pelo menos ela deu a cara a tapa e fez essas ações em público. Da mesma forma devemos condenar Willian Bonner e Fatima Bernardes pela lambança q o JN fez no debate Mulla x Collor. E tantos outros momentos tristes da TV.

E tb naum devemos condenar só os apresentadores, q certamente tem maior culpa por terem empregado sua popularidade pra tais fins. Devemos condenar produtores, equipes, diretores e donos desses meios de comunicação, q muito apoiaram e permitiram tais ações.

Enquanto os torturadores e seus "amiguinhos" faziam festas e enriqueciam com dinheiro público, os combatentes precisavam sequestrar e mal podiam ter vida familiar.