Sunday, July 12, 2009

McNamara morreu nos EUA em Julho de 2009

As notícias dos últimos dias sobre a morte de Michael Jackson desviaram a atenção sobre uma outra morte ocorrida no mês de Julho, no dia 5.

Robert McNamara morreu aos 93 anos. Robert Strange McNamara era descendente de irlandeses e relativamente pobre para os padrões dos EUA. Mas era muito inteligente. Conseguiu se tornar universitário com poucos recursos da família e bolsas de estudo concedidas a estudantes de destaque.

Durante a Segunda Maldita Guerra Mundial foi convocado para as forças armadas. Fez parte da elite que introduziu modernos métodos estatísticos para o recrutamento de soldados e estudos de eficiência militar. McNamara ajudou a convencer o comando do Exército dos EUA que Tóquio era uma cidade de madeira, e que valia a pena arriscar a vida de alguns pilotos americanos para lançar bombas incendiárias sobre a cidade. Numa única noite bombas incendiárias foram lançadas e mais de 200.000 mil japoneses morreram. Esses números foram abafados pelo impacto das bombas de Hiroshima e Nagasaki. Mas o incêndio de Tóquio matou tantas pessoas quanto um ataque nuclear. McNamara disse, décadas depois, que se os EUA tivessem perdido a guerra ele e outros americanos deveriam se condenados como criminosos de guerra. Questionou por que era considerado imoral matar quando se perde uma guerra, e por que o mesmo não ocorre para aqueles que vencem uma guerra, matando o mesmo número de pessoas.

Ele também foi um dos responsáveis pelo desastre dos EUA no Vietnã. O que parecia ser um passeio de uma superpotência sobre um país rural de terceiro mundo se transformou em derrota, vergonha e retirada. Na década de 1990, McNamara admitiu o grande erro que foi a guerra contra o Vietnã.

Quem tiver curiosidade pode conhecer McNamara num documentário chamado "Sob a Névoa da Guerra". O palpiteiro já o assistiu mais de 5 vezes e o utilizou em cursos e palestras. As informações acima foram quase todas retiradas desse documentário.

McNamara também foi presidente da Ford, e foi dele a idéia de colocar cintos de segurança nos automóveis, equipamento obrigatório em qualquer carro hoje em dia.

Mas McNamara era antes de tudo um ser político. Fez coisas louváveis e teve atitudes odiosas. Exaltá-lo ou demonizá-lo será sempre uma tarefa difícil. Mas fica aqui o registro. Mais importante do que o maníaco de Neverland, e muito menos lembrado. Ou seja, mais um caso de persongem que age nas sombras, muda a história da humanidade e que a mídia prefere ignorar. Quantos são os sucessores de McNamara hoje? Onde vivem? O que pensam? O que lêem?

Certamente não o noticiário superficial, que se empolga com funerais espetaculares...

1 comment:

Marina Neofiti said...

Esse documentário, "Sob a Névoa da Guerra", foi uma das melhores coisas que assisti na faculdade... Não tinha idéia da dimensão de como era "montar" uma guerra! Todos aqueles números e estatísticas que ele fala, o modo como o diretor constrói e mescla as falas estatísticas e políticas mais as imagens... E nem precisa de imagem para você sentir a crueldade de tudo aquilo, os 200 mil mortos por bombas incendiárias; o próprio McNamara encontrando soluções para aumentar a eficiência dos ataques aéreos e conter o medo dos pilotos norte-americanos, entre outras barbaridades!
Fiquei sabendo muito tempo depois sobre a morte dele. Mas em "história da humanidade" é sempre assim: ou existem as figuras más (um Hittler) ou as boníssimas (um Gandhi, um Mandela) ou uma máquina que gira automaticamente, quase ninguém (quiçá nem os historiadores) se interessa por ver quem (o conjunto de pessoas) está por trás política, economica e culturalmente; é quase aquela história de mão invisível do mercado, só que maior, é a mão invisível da História.
E no meio de tudo isso, para que possamos esquecer, um Michael Jackson...